A EXCEÇÃO NÃO FAZ MAL, DESDE QUE OS HÁBITOS COTIDIANOS SEJAM BONS.
Nuno Cobra
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PERIPATÉTICO

Max Gehringer
Numa das empresas em que trabalhei, eu fazia parte de um grupo de treinadores voluntários. Éramos coordenados pelo chefe de treinamento, o professor Lima, e tínhamos até um lema: "Para poder ensinar, antes é preciso aprender" (copiado, se bem me recordo, de uma literatura do Senai). Um dia, nos reunimos para discutir a melhor forma de ministrar um curso para cerca de 200 funcionários. Estava claro que o método convencional - botar todo mundo numa sala - não iria funcionar, já que o professor insistia na necessidade da interação, impraticável com um público daquele tamanho. Como sempre acontece nessas reuniões, a imaginação voou longe do objetivo, até que, lá pelas tantas, uma colega propôs usarmos um trecho do Sermão da Montanha como tema do evento. E o professor, que até ali estava meio quieto, respondeu de primeira. Aliás, pensou alto: - Jesus era peripatético. Seguiu-se uma constrangida troca de olhares, mas, antes que o hiato pudesse ser quebrado por alguém com coragem para retrucar a afronta, dona Dirce, a secretária, interrompeu a reunião para dizer que o gerente de RH precisava falar urgentemente com o professor. E lá se foi ele, deixando a sala à vontade para conspirar. - Não sei vocês, mas eu achei esse comentário de extremo mau gosto - disse a Laura. - Eu nem diria de mau gosto, Laura. Eu diria ofensivo mesmo - emendou o Jorge, para acrescentar que estava chocado, no que foi amparado por um silêncio geral. - Talvez o professor não queira misturar religião com treinamento. Mas eu até vejo uma razão para isso - ponderou o Sales, que era o mais ponderado de todos. - Que é isso, Sales? Que razão? - Bom, para mim, é óbvio que ele é ateu. - Não diga! - Digo. Quer dizer, é um direito dele. Mas daí a desrespeitar a religiosidade alheia... Cheios de fúria, malhamos o professor durante uns dez minutos e, quando já o estávamos sentenciando à fogueira eterna, ele retornou. Mas nem percebeu a hostilidade. Já entrou falando: - Então, como ia dizendo, podíamos montar várias salas separadas e colocar umas 20 pessoas em cada uma. É verdade que cada treinador teria de repetir a mesma apresentação várias vezes, mas... Por que vocês estão me olhando desse jeito? - Bom, falando em nome do grupo, professor, essa coisa aí de peripatético, veja bem... - Certo! Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para fazer pregações, como os filósofos também faziam, ao orientar seus discípulos. Mas Jesus foi o Mestre dos Mestres; portanto, a sugestão de usar o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral e o deslocamento físico... Mas que cara é essa? Peripatético quer dizer "o que ensina caminhando". E nós ali, encolhidos de vergonha. Bastaria um de nós ter tido a humildade de confessar que desconhecia a palavra, que o resto concordaria e tudo se resolveria com uma simples ida ao dicionário. Isto é, para poder ensinar, antes era preciso aprender. Finalmente, aprendemos duas coisas: A primeira é: o fato de todos estarem de acordo não transforma o falso em verdadeiro. E a segunda é: que a sabedoria tende a provocar discórdia, mas a ignorância é quase sempre unânime. . E nem precisa perguntar se também fui ao dicionário, né?! .

sábado, 8 de agosto de 2009

NÃO PASSE DO PONTO QUANDO SE ENTRISTECER

CARPE DIEM

Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.

Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo ou vice-versa. Seus sonhos de trocar de casa, de carro, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão oculto que você sente por alguém e é contido por razões diversas. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você engole e que tinha anotado na agenda para resolver o mais breve possível ou assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.

Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa nem dentro de você. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, Só existe o hoje.

E não esqueça de que você não tem o controle de nada, não é dono de nada!!!

Você apenas pensa que tem...

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Desconheço a autoria...

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

CONSTÂNCIA

A virtude da constância é imprescindível para o êxito de qualquer empreendimento.
O início de um projeto sempre é cercado de entusiasmo.

Seja em grupo ou isoladamente, a idéia nova empolga.

Pode ser uma dieta, um programa de estudos, novos hábitos de vida ou de trabalho.

No início, tudo parece fácil e proveitoso.

Mas gradualmente as dificuldades surgem e começam a impressionar.

Pouco a pouco, perde-se o entusiasmo do princípio.

Já não parece tão importante manter o padrão de comportamento eleito.

A meta almejada esfumaça-se no horizonte e a pessoa retorna ao estado anterior.

O homem é uma criatura de hábitos.

Os hábitos podem engrandecê-lo ou amesquinhá-lo, aproximá-lo do anjo ou do selvagem.

A noção das próprias possibilidades por vezes empolga um ser humano.

Animado pela idéia de ser melhor, ele traça metas de equilíbrio, paz e progresso.

Para essas metas serem atingidas é necessário constância.

É nas dificuldades que o caráter se refina e se fortalece.

Quem desiste ao primeiro empecilho jamais atinge objetivo algum.

Perante os embates do mundo, importa perseverar no padrão de comportamento considerado ideal.

Não é conveniente mudar de atitude apenas para acompanhar a maioria.

Os grandes atletas, pensadores e inventores não revelaram sua grandeza de forma repentina.

Sempre é necessário muito estudo, preparação e esforço para a conquista de uma meta.

A exímia bailarina impressiona pela beleza e graça com que executa sua arte.

Mas apenas ela sabe o que isso lhe custou em termos de disciplina, renúncia e dores.

Se você tem objetivos, há apenas um modo de atingi-los: trabalhando duramente e com constância.

Sem disciplina, você flutuará ao sabor dos acontecimentos. O que lhe parecer mais fácil você fará.

Seus desejos mais profundos não passarão de sonhos, sem qualquer substância.

A aspiração de hoje será abandonada amanhã.

A dieta iniciada será esquecida.

O projeto de trabalho ou de estudo seguirá o mesmo destino.

De fantasia em fantasia, de sonho em sonho, sua vida passará.

E você será uma contínua promessa não realizada.

Para que isso não aconteça, analise o seu proceder.

Se constatar leviandade ou instabilidade em seu agir, dedique-se a combater tais características.

Estabeleça metas e esforce-se em alcançá-las.

Se quer ser instruído, aprender uma língua, fazer um curso, estude com firmeza.

Se deseja adquirir uma virtude, pratique-a a todo instante.

Caso queira emagrecer ou cuidar de sua saúde, modifique seus hábitos, mas o faça com convicção.

Não se impressione com obstáculos, pois eles sempre existirão.

Não se permita titubear e voltar atrás.

Lembre-se do entusiasmo do início.

Mantenha-se firme, em respeito ao seu infinito potencial.

Visualize o prazer que a vitória proporcionará.

A dificuldade de hoje é a facilidade de amanhã.

Apenas a constância poderá conduzi-lo ao resultado almejado.

Pense nisso e persevere!

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