A EXCEÇÃO NÃO FAZ MAL, DESDE QUE OS HÁBITOS COTIDIANOS SEJAM BONS.
Nuno Cobra

sexta-feira, 19 de junho de 2009

OS GORDOS PODEM APRENDER COM OS MAGROS

Por: Flávio Gikovate

Não pretendo ser simplista e afirmar que existe um caminho único e fácil para se resolver a complicada questão da obesidade. Mas proponho uma inversão radical no modo de pensarmos a respeito do assunto. Em vez de nos atermos aos gordos e aos seus hábitos, que tal voltarmos nossa atenção para o modo de ser dos magros?

Os magros não sabem o que é passar o dia contando quantas calorias já comemos, pensando os alimentos antes de ingeri-los, visitando a balança. Os gordos se entretêm numa espécie de videogame interior, onde eles vencem ou perdem conforme o número de calorias que consumiram naquele dia ou naquela refeição. Nenhum magro sofre desse tipo de obsessão. Trata-se de um processo psíquico muito intenso, capaz de determinar um novo tipo de prazer, semelhante ao que um corredor pode ter ao quebrar seus recordes. Compõe-se de uma espécie de desafio interior, que se associa a uma importante ocupação do tempo e da energia psíquica.

Sei de pessoas que emagrecem e ficam tristes porque não terão mais como ocupar seu cérebro. Em vez de ficar contentes com o resultado obtido, sentem uma certa depressão relacionada com o fim do jogo. Adquirir – ou readquirir – uma “cabeça de magro” implica em abrir mão desse tipo de disputa consigo mesmo, que envolve uma permanente intromissão da razão nos processos metabólicos e que provavelmente determina resultados muito negativos.

A conquista da “cabeça de magro” corresponderia à verdadeira cura, do ponto de vista psicológico, da obesidade. Ela consiste na renúncia da razão em querer controlar o processo alimentar e metabólico. Poderemos nos alimentar com a naturalidade característica dos magros, sem vergonha ou culpa – atitudes próprias dos que se acham em transgressão. Nenhum magro entra numa doceira para, de forma rápida, comer doces com medo de ser pego em flagrante – comportamentos similares existem, por exemplo, entre os alcoólatras que tentam beber escondido. O magro saboreia e se delicia com o doce comprado com orgulho. Não tem pressa de terminar, por isso não o coloca inteiro na boca. Mastigará delicadamente e comerá apenas o que desejar. Não terá de se fartar, uma vez que, para ele, a doceira não irá fechar amanhã.

O magro não fará dieta na segunda-feira, por isso não terá de comer toda a pizza que conseguir no domingo à noite – o que provoca a desagradável sensação de mal-estar decorrente do excesso de ingestão de comida. Comerá dois pedaços, talvez três. Sabe que poderá comer pizza de novo no lanche da manhã se assim o desejar, condição que diminui a compulsão voraz.

É possível que o gordo que tentar viver como os magros venha a engordar uns poucos quilos no primeiro momento em que parar de se controlar e de dominar seus desejos. Isso durará pouco, pois a tendência para o abuso da liberdade recém-adquirida será breve. O que virá depois é a normalização da sua relação com a comida e com o peso corpóreo. Deixará de se pesar a todo momento, comerá sem culpa e somente o necessário. Não se sentirá tão feliz quanto imaginou, pois o prazer de ser tornar magro é efêmero. Logo compreenderá que os magros também têm dissabores e sofrimentos.

6 comentários:

Anônimo disse...

Verdadeira a mensagem, e é isso mesmo que ocorre, a gente fica num sofrimento o dia todo contando calorias, pontos ou sei lá mais o que... precisamos mudar nosso esquema mental.
Um dia vou conseguir fazer isso, ah se vou.
Beijocas e boa noite.

Marta Eunice disse...

Amei o texto!!!!

Tâm disse...

Ameiii
é um dia eu vou fk bitolada em contas as calorias!!
kkkkkkkkkk
tomara q eu consiga mudar !!!
hahahah
bjus tchuca

Maria disse...

Muito bom , essa é a questão. bjo e bom dia

Valérie Roberto disse...

Que grupo o Flávio Gikovate frequenta na Meta? heheh É isso aí

beiju

Nanna disse...

Adorei o texto, acho que depois que parei de trabalhar e fiquei mais a vontade pra comer o que quero reduzindo apenas a quantidade dei uma melhorada até no humor. Tô trabalhando minha mente pra ficar com cabeça de magra, ainda tenho meus receios qdo sei que passei da conta na comida, mas fico menos preocupada e neurótica do que antes.
Abreijos.