Natal pra mim é o fim...
Minha mãe adorava.
Mesa farta... quer dizer LO TA DA de comida pra meia dúzia de pessoas.
Fazia questão dos filhos reunidos e quem mais quisesse chegar era sempre bem-vindo.
Ela adorava ver o povo comendo e comendo e comendo.
Eu fazia a parte dos presentes.
Embrulhava, fazia surpresa até o último minuto do segundo tempo, armava um "olha alí o Papai Noel!"... e magicamente surgiam mais presentes.
Era assim até 5 anos atrás.
Hoje eu armo a árvore na minha casa como sempre fiz, coloco os presentes e... não tenho mais casa da mãe pra ir.
É phoda!
Não adianta ir pra família dos outros que não é a mesma coisa.
Putz... fiquei mal uma semana antes. Passou! Durou só o momento do desabafo.
Depois a melancolia na própria noite.
Aff... queria sumir do mundo.
Que saudade do caraleo!
Daí, dia 25, fui caminhar cedinho pelo Maracanã e me deparo com os moradores de rua habituais da Tijuca dormindo pelos cantos das lojas fechadas.
Na mesma hora pedi desculpas a Deus e agradeci a casa que tenho.

O que vi não vai diminuir a saudade, não vai fazer doer menos o natal... a dor, o sentimento é subjetivo, pessoal e o diâmetro é proporcional a importância que cada um dá. Mas na hora, a cena me deu a clareza de que estou melhor.
Não tenho mais os natais na casa da minha mãe... mas tenho uma casa para voltar todos os dias e o livre arbítrio para fazê-lo.

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